20 de jun. de 2011

A Visão Espírita do Divórcio

"A Visão Espírita do Divórcio" foi tratada por Kardec, em "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

Diz ele: "O divórcio é Lei humana que tem por objetivo separar legalmente o que já, de fato, está separado." Desta forma entendemos que a Doutrina Espírita não é contrária ao divórcio mas também entendemos que em momento algum estimula a esta prática. Entende a Doutrina Espírita que o casamento, a união entre dois seres é a oportunidade abençoada de desenvolvermos laços de afeto. Nem sempre as uniões, na Terra, buscam este objetivo, nem sempre se fazem nas bases de sentimentos, dificultando o relacionamento em bases conjugais.

Como encarar o princípio "Não separeis o que Deus Uniu" nos colocado pelo próprio Jesus e utilizado durante tanto tempo para significar a bênção religiosa a um matrimônio? O Espiritismo adota esse princípio em algum momento para afirmar alguma união seja duradoura ou não, abençoando-a ou não? Como encara essa afirmação de Jesus?

O próprio Kardec no cap. XII de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", tratou desta afirmativa. No próprio diálogo narrado por Matheus, Jesus se reporta à dureza do vosso coração, como causa da separação entre marido e mulher. Deus une pelo amor. Quando existe o amor e a afeição não existe a separação. O Espiritismo é uma Doutrina de liberdade e responsabilidade, cada um de nós é livre para tomar as decisões que nos competem. No entanto, recolhemos em forma de bênçãos ou aflições o resultado de nossas próprias atitudes.
Dentro da questão do divórcio e das relações afetivas, gostamos de citar Emmanuel, um profundo conhecedor da alma humana, quando nos diz que "a Sabedoria Divina jamais institui princípios de violência, e o Espírito com quanto em muitas situações agrave os próprios débitos, dispõe da faculdade de interromper, recusar, modificar, discutir ou adiar, transitoriamente, o desempenho dos compromissos que abraça."

Será que o divórcio pode ser parte do aprendizado que temos que viver, ou será que é uma "desistência" nos compromissos que assumimos perante a espiritualidade?

Acreditamos que a maioria dos divórcios esteja na conta das desistências ou fugas que realizamos ao longo da nossa vida. A responsabilidade de cada um de nós é que muda em relação às situações que se apresentam. Muitas vezes os casamentos são desfeitos em concordância dos parceiros, digamos "Desistência a dois?", que não causa grandes perdas. Em outras situações, um dos parceiros pode se sentir bastante lesado nos seus sentimentos. Cada caso é diferente e, portanto, as responsabilidades também.

O divórcio, muitas vezes, não é tão suave como descrito: "separar o que já é separado", mas acompanhado de muita carga de ódio, mágoa, ressentimento e dor. Seria em relação a esses casos que o espírito Emmanuel certa feita nos falou sobre "não arrebentar os nós que podemos desatar"? Como encarar esse princípio no caso de um divórcio que se aproxima?

É perfeita a fala do nosso querido Emmanuel, conquanto nem sempre sabemos agir no sentido de desatar e não romper. Acredito que este é um dos grandes aprendizados que precisamos realizar, agora que, racionalmente, entendemos o valor das ações pacificadoras nas nossas vidas. Veja bem que eu disse, racionalmente, viver isto é colocar este entendimento no sentimento. Em relação às separações, Emmanuel nos fala que o melhor é que não sejamos nós aqueles que a busquemos, mas quando nosso parceiro quiser partir que nós o libertemos.

O significado desta libertação é o trabalho interno de nossas almas no sentido de não acolhermos mágoas, ressentimentos, ódios. É um exercício que precisamos começar a realizar.
Serão os filhos motivo para se manter uma união em que não existe amor? O espírita deveria continuar com o cônjuge pelo bem dos filhos, mesmo que não o ame mais?

De que amor estamos falando? Que tipo de amor temos buscado? Estamos falando de amor, ou romance eterno, ou sentimento de plenitude constante? Entendemos que a separação deve acontecer no momento em que o convívio entre os dois cônjuges esgotou todas as possibilidades e pode levar a um mal maior, neste caso é preferível a separação. Os filhos são sempre um motivo para se tentar, com boa vontade, resolver as situações delicadas que se apresentam dentro de um casamento de forma a dar-lhes segurança para seu desenvolvimento.
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo" encontramos os seguintes dizeres: "Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, afim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitissem aos filhos, e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir.".

Os casamentos realmente duradouros, como descrito como "laços de afeto", se perpetuam no mundo dos espíritos? Permanecemos "casados" depois que desencarnamos?

Os laços de afeto jamais se rompem. Quando amamos, permanecemos unidos, aonde quer que estejamos. Não sei o que você quer dizer com este casado depois de desencarnado, continuamos juntos, buscando sempre realizar este sentimento.

Quanto ao princípio não separar o que Deus juntou, como podemos ver o amor neste principio?

Entendemos que o que Deus juntou, juntou com amor, porque o amor é a essência do Universo. No momento em que aprendermos a amar INCONDICIONALMENTE, o que significa dizer não às nossas próprias necessidades, não haverá mais separação para nós.

Como é que um espírito que ama muito o outro reage vendo-o se relacionar com outra pessoa, numa vida em que só um deles retornou ao corpo carnal? Reside aí - nesse ciúme - uma causa de obsessão que estimula o divórcio?

Sabemos que em nossas vidas sofremos a influência espiritual de companheiros de outras encarnações. Esta influência pode ser uma grande ajuda ou, também, um processo obsessivo que pode levar à separação de uma casal. Tudo depende das relações entre os espíritos envolvidos no mesmo relacionamento.

Muitos dizem que nos programamos os casamentos ainda na espiritualidade, como entender o número crescente de divórcios?

Realmente muitos, ou a maioria dos casamentos, é programada ou acertada no plano Espiritual, no entanto nos diz também Emmanuel que a maioria dos casamentos, aqui na Terra, visa reajustes, ou seja, são casamentos provacionais e certamente o relacionamento não será dos mais fáceis. Enquanto desencarnados podemos perceber com muita clareza a extensão de nossos débitos e aceitamos nos reunir para diminuir ou saldar estes mesmos débitos. Uma vez encarnados, com a benção do esquecimento dos desajustes passados, nos deixamos envolver, mais uma vez, pelos prazeres que o mundo nos oferece e voltamos quase sempre a falir nos compromissos assumidos.
O número crescente de divórcios deve-se a um entendimento equivocado de felicidade e objetivos principais de estarmos vivos.

Uma vez que as pessoas devem estar unidas por sentimentos, e que toda a hipocrisia será posta à vista depois da morte, porque agüentar um casamento infeliz?

Na realidade não temos que agüentar um casamento infeliz. o que realmente precisamos é tentar transformar esta infelicidade. Tudo nos é lícito mas nem tudo nos convêm. Quando "agüentamos" um casamento infeliz, na maioria das vezes não estamos construindo uma relação saudável. o que buscamos não é "agüentar" é transformar, buscar soluções, buscar observar a vida sob um outro ponto de vista, estendendo as nossas percepções para além de nosso mundo acanhado.

Como ver o caso de longos relacionamentos rompidos antes do casamento? As "conseqüências" pela separação podem ser comparadas as do divórcio, espiritualmente falando?

Doutrina Espírita entende casamento como união entre dois seres. Desde que duas pessoas estejam unidas, realizando uma comunhão sexual, mesmo que não tenham firmado nenhum compromisso formal perante a sociedade, estão casadas. Desta forma estes "longos relacionamentos rompidos" são entendidos como divórcio com conseqüências para ambos ou um dos parceiros.

O momento que passamos é da maior importância para todos nós, e diante dos esclarecimentos que a Doutrina Espírita nos trás colocando luz nos ensinos do nosso Mestre Jesus, é o momento certo para que nos esforcemos buscando entender a vida, o mundo, as relações, e nós mesmos sob um novo prisma, que Jesus nos abençoe, nos ajude e nos sustente.

Palestra Promovida pelo IRC-Espiritismo em conjunto com a Escola Espírita Cristã Maria de Nazaré e Grupo Rita de Cássia de Estudos Espíritas, Palestrante: Regina De Agostini.

Preparação

O dia que surge é oportunidade nova, nem sempre percebida pelos que vivemos enredados em dificuldades multiplicadas.

O sol que inunda de luz o Mundo, penetrando com seus raios os mais ocultos lugares, é mensagem de renovação.

O ar fresco da manhã, a relva ainda úmida do orvalho da madrugada fala de um doce e lento despertar.

Tal qual a manhã que desabrocha, lenta, aos beijos do sol, compete-nos atender algumas regras a fim de bem aproveitar o novo dia.

Antes de qualquer atividade, reservemo-nos uns minutos. Abrindo os olhos, observemos com calma o local onde nos encontramos e agradeçamos a Deus a bênção do corpo carnal, o teto que nos agasalha, as mil pequenas coisas do lar que se constituem na nossa riqueza material.

Erguendo-nos do leito busquemos um livro nobre e façamos uma pequena leitura de página de otimismo e consolo. Página que nos fixe na mente mensagens positivas e agradáveis.

Permitamo-nos meditar por alguns minutos no seu conteúdo valioso, com o objetivo de gravá-lo nas delicadas telas da memória.

Impregnados da mensagem positiva, estabeleçamos uma disposição favorável para as lutas que tenhamos a enfrentar: trabalhos exaustivos, enfermidades, revezes de toda sorte.

Encerremos esses preciosos instantes com uma prece, através da qual busquemos sintonizar com o Pensamento Divino, Dele rogando inspiração e forças.

Agora, e somente agora, nos encontramos equipados com energias positivas e nos podemos permitir o confronto das tarefas árduas do dia que apenas começa.

Assim como nosso corpo necessita ser preservado e mantido, com os cuidados da higiene, da conservação da saúde dos órgãos, a fim de não ser bruscamente interrompida a sua existência, nossa alma precisa de atendimento especial.

Por vezes, cultuamos em demasia o corpo, esmerando-nos em atenções para com ele, atendendo a imperativos de dietas, exercícios, caminhadas, massagens e nos esquecemos de igualmente atender o Espírito imortal.

E é o Espírito o responsável pela organização corporal, pela geração de forças que facultam a vida física.

Por isso, ele necessita de atenção a fim de que não se desarticulem seus equipamentos delicados, quando então se torna campo propício ao desalento, ao desfalecimento e à tristeza injustificável.

Poucos minutos, diariamente, bastam para alimentá-lo na fonte inesgotável que emana de Deus, nosso Pai.

Não nos esqueçamos disto!

* * *

A meditação é combustível precioso que mantém o vigor moral e movimenta a máquina da ação.

É sempre terapia que oferece paz.

Toda criatura tem necessidade de meditar e de orar, porque aprofundando meditações nos ricos conceitos do Evangelho, seguirá pela vida de forma digna e consciente.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 2 do livro Episódios diários, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal e no verbete Meditação do livro Repositório de sabedoria, v.2, pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal.

PODER DA FÉ


Quando ele veio ao encontro do povo, um homem
se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos
a seus pés, disse: Senhor, tem piedade do meu
filho, que é lunático e sofre muito, pois cai muitas
vezes no fogo e muitas vezes na água. Apresentei-
o aos teus discípulos, mas eles não o puderam
curar. – Jesus respondeu, dizendo: Ó raça
incrédula e depravada, até quando estarei
convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me
aqui esse menino. – E tendo Jesus ameaçado o
demônio, este saiu do menino, que no mesmo
instante ficou são. – Os discípulos vieram então
ter com Jesus em particular e lhe perguntaram:
Por que não pudemos nós outros expulsar esse
demônio? – Respondeu-lhes Jesus: Por causa da
vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo,
se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda,
diríeis a esta montanha: Transporta-te daí
para ali e ela se transportaria, e nada vos seria
impossível.
(S. MATEUS, 17:14 a 20.)


No sentido próprio, é certo que a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais, que não consegue fazer quem duvida de si. Aqui, porém, unicamente no sentido moral se devem entender essas palavras. As montanhas que a fé desloca são as dificuldades, as resistências, a má vontade, em suma, com que se depara da parte dos homens, ainda quando se trate das melhores coisas. Os preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo e as paixões orgulhosas são outras tantas montanhas que barram o caminho a quem trabalha pelo progresso da Humanidade. A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, assim nas pequenas coisas, que nas grandes. Da fé vacilante resultam a incerteza e a hesitação de que se aproveitam os adversários que se têm de combater; essa fé não procura os meios de vencer, porque não acredita que possa vencer.

 Noutra acepção, entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta segurança. Num como noutro caso, pode ela dar lugar a que se executem grandes coisas.

 Cumpre não confundir a fé com a presunção. A verdadeira fé se conjuga à humildade; aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus. Por essa razão é que os bons Espíritos lhe vêm em auxílio. A presunção é menos fé do que orgulho, e o orgulho é sempre castigado, cedo ou tarde, pela decepção e pelos malogros que lhe são infligidos.

 O poder da fé se demonstra, de modo direto e especial, na ação magnética; por seu intermédio, o homem atua sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível. Daí decorre que aquele que a um grande poder fluídico normal junta ardente fé, pode, só pela força da sua vontade dirigida para o bem, operar esses singulares fenômenos de cura e outros, tidos antigamente por prodígios, mas que não passam de efeito de uma lei natural. Tal o motivo por que Jesus disse a seus apóstolos: se não o curastes, foi porque não tínheis fé.
A fé sincera e verdadeira é sempre calma; faculta a paciência que sabe esperar, porque, tendo seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao objetivo visado. A fé vacilante sente a sua própria fraqueza; quando a estimula o interesse, torna-se furibunda e julga suprir, com a violência, a força que lhe falece. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo.

4 de jun. de 2011

O HOMEM DE BEM

O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de
justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele
interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo
perguntará se violou essa lei, se não praticou o mal, se
fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente
alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa
dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe
fizessem.

Deposita fé em Deus, na Sua bondade, na Sua justiça
e na Sua sabedoria. Sabe que sem a Sua permissão nada
acontece e se Lhe submete à vontade em todas as coisas.

Tem fé no futuro, razão por que coloca os bens espirituais
acima dos bens temporais.

Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores,
todas as decepções são provas ou expiações e as aceita sem
murmurar.

Possuído do sentimento de caridade e de amor ao próximo,
faz o bem pelo bem, sem esperar paga alguma; retribui
o mal com o bem, toma a defesa do fraco contra o forte,
e sacrifica sempre seus interesses à justiça.

Encontra satisfação nos benefícios que espalha, nos
serviços que presta, no fazer ditosos os outros, nas lágrimas
que enxuga, nas consolações que prodigaliza aos afli-
tos. Seu primeiro impulso é para pensar nos outros, antes
de pensar em si, é para cuidar dos interesses dos outros
antes do seu próprio interesse. O egoísta, ao contrário, calcula
os proventos e as perdas decorrentes de toda ação
generosa.

O homem de bem é bom, humano e benevolente para
com todos, sem distinção de raças, nem de crenças, porque
em todos os homens vê irmãos seus.

Respeita nos outros todas as convicções sinceras e não
lança anátema aos que como ele não pensam.

Em todas as circunstâncias, toma por guia a caridade,
tendo como certo que aquele que prejudica a outrem com
palavras malévolas, que fere com o seu orgulho e o seu
desprezo a suscetibilidade de alguém, que não recua à idéia
de causar um sofrimento, uma contrariedade, ainda que
ligeira, quando a pode evitar, falta ao dever de amar o próximo
e não merece a clemência do Senhor.

Não alimenta ódio, nem rancor, nem desejo de vingança;
a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas e só
dos benefícios se lembra, por saber que perdoado lhe será
conforme houver perdoado.

É indulgente para as fraquezas alheias, porque sabe
que também necessita de indulgência e tem presente esta
sentença do Cristo: “Atire-lhe a primeira pedra aquele que
se achar sem pecado.”

Nunca se compraz em rebuscar os defeitos alheios, nem,
ainda, em evidenciá-los. Se a isso se vê obrigado, procura
sempre o bem que possa atenuar o mal.

Estuda suas próprias imperfeições e trabalha incessantemente
em combatê-las. Todos os esforços emprega para
dizer, no dia seguinte, que alguma coisa traz em si de melhor
do que na véspera.

Não procura dar valor ao seu espírito, nem aos seus
talentos, a expensas de outrem; aproveita, ao revés, todas
as ocasiões para fazer ressaltar o que seja proveitoso aos
outros.

Não se envaidece da sua riqueza, nem de suas vantagens
pessoais, por saber que tudo o que lhe foi dado pode
ser-lhe tirado.

Usa, mas não abusa dos bens que lhe são concedidos,
sabe que é um depósito de que terá de prestar contas e que
o mais prejudicial emprego que lhe pode dar é o de aplicá-lo
à satisfação de suas paixões.

Se a ordem social colocou sob o seu mando outros
homens, trata-os com bondade e benevolência, porque são
seus iguais perante Deus; usa da sua autoridade para lhes
levantar o moral e não para os esmagar com o seu orgulho.
Evita tudo quanto lhes possa tornar mais penosa a posição
subalterna em que se encontram.

O subordinado, de sua parte, compreende os deveres
da posição que ocupa e se empenha em cumpri-los conscienciosamente.
(Cap. XVII, nº 9.)

Finalmente, o homem de bem respeita todos os direitos
que aos seus semelhantes dão as leis da Natureza, como
quer que sejam respeitados os seus.

Não ficam assim enumeradas todas as qualidades que
distinguem o homem de bem; mas, aquele que se esforce
por possuir as que acabamos de mencionar, no caminho se
acha que a todas as demais conduz.

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO (Cap. XVII, nº 3.)

Conquistas

Em seu livro "O coração de um campeão", Bob Richards, detentor de algumas medalhas olímpicas, fala da importância de se acreditar nos sonhos e lutar por eles.

E, para ilustrar, narra um episódio acontecido com o famoso atleta Charley Paddock.

Certo dia, Paddock fazia uma palestra num ginásio de Cleveland, e a certa altura disse: "quem sabe, talvez, haja aqui alguém que um dia vá ganhar provas numa olimpíada."

Encerrada a assembléia dos alunos, aproximou-se dele um jovem negro, magricela, de pernas finas, que estivera sentado ao fundo do salão, e lhe disse timidamente: "eu daria tudo para ganhar uma corrida importante algum dia."

Paddock olhou para ele e respondeu calorosamente: "e você pode, meu filho. Basta que faça disso sua meta de vida e dê tudo de si para alcançá-la."

E em 1936, aquele jovem, cujo nome era Jessie Owens, ganhou várias medalhas de ouro nas olimpíadas de Berlim, e quebrou diversos recordes.

Adolf Hitler, ao saber de seu maravilhoso desempenho, ficou furioso, pois a realização do sonho daquele jovem, representou um duro golpe para o louco sonho do ditador, de criar uma raça ariana superior.

Quando Jessie Owens voltou para os Estados Unidos teve uma recepção festiva nas ruas. Naquele dia, outro rapazinho negro, de pernas finas, conseguiu comprimir-se entre a multidão, chegou perto dele e disse: "eu gostaria muito de correr numa olimpíada quando crescer!"

Jessie lembrou-se do que lhe acontecera, apertou a mão do garoto e respondeu: "sonhe alto, meu filho. E dê tudo de si para chegar lá."

Em 1948, era o rapazinho, Harrison Dillard que ganhava medalhas de ouro nos jogos olímpicos daquele ano.

Por sua vez, um estudante, entusiasmado com tudo isso, estava treinando o salto em altura, preparando-se para um campeonato estadual. Após cada salto, seu técnico elevava um pouco mais o sarrafo.

Afinal ele colocou na altura do recorde da prova. O rapaz protestou: "ah, não. Como é que vou saltar essa altura?" Ao que o treinador replicou: "atire o coração por cima do sarrafo e seu corpo irá junto."

***

Todos os que lutam, reconhecem que os sonhos têm força propulsora. Por isso, restaure os sonhos que se frustraram, realize os que ainda não foram realizados e reformule os sonhos com defeito.

Sobretudo, não esqueça que se você tem capacidade para conquistar os seus sonhos, também tem a força de vontade necessária para reformular o seu caráter.

Pense nisso, e aja ainda hoje, enquanto é tempo!

Invista em você mesmo!

Equipe de Redação do Momento Espírita.

Auxílio mútuo

Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno.

Um deles fixou o singular achado e exclamou, irritadiço:

Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente.

O outro, porém, mais piedoso, considerou:

Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade.

Não posso, - disse o companheiro, endurecido -, sinto-me cansado e doente.

Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos chegar à aldeia próxima sem perda de minutos.

E avançou para diante em largas passadas.

O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido.

A chuva gelada caiu, metódica, pela noite adentro, mas ele, amparando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava.

Com enorme surpresa porém, não encontrou aí o colega que havia seguido à frente.

Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida, numa vala do caminho alagado.

Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoísta de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento.

Enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, salvando-se de semelhante desastre.

Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo... ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo.

Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços do caminho, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.

* * *

As mais eloqüentes e exatas testemunhas de um homem, perante o Pai Supremo, são as suas próprias obras.

Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo.

O coração que amparamos constituir-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ninguém duvide.

Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo da solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum.

Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina.


Redação do Momento Espírita, com base no cap. 16 do livro Jesus no lar, do Espírito Neio Lúcio, psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. Feb

Convite à harmonia

A harmonia íntima é um estado d’alma dos mais almejados pelo ser humano, mas também um dos mais difíceis de ser alcançado.

No entanto, esse bem-estar requer investimento, disposição e muita força de vontade.

A harmonia só pode ser conquistada com esforço constante, nas mais variadas situações do quotidiano, até naqueles mais adversos.

Talvez adivinhando esse nobre desejo dos homens, e com intuito de ajudar, o Espírito Joanna de Ângelis, através do ilustre médium Divaldo Pereira Franco, escreveu uma mensagem que intitulou "Convite à harmonia".

Eis o seu carinhoso convite:

Como hábito, uma que outra vez com regularidade, altera o ritmo das atividades do quotidiano, a fim de retirares da comunhão com a natureza a necessária harmonia para o prosseguimento dos labores abençoados.

Uma evasão da cidade agitada na direção do bosque;

Uma excursão a um local bucólico e ameno;

Uma jornada aos campos dos arredores;

Uma caminhada pela orla marinha;

Um piquenique na montanha...

Paisagens novas, pouco habituais à contemplação, ao exercício, à reflexão.

Neste recanto uma delicada flor oscilando em haste tênue; de um local mais alto, visão ampliada, superando detalhes e vencendo distâncias; em volta o ar rarefeito, suave, respirável; margaridas rasteiras salpicando o verdor de todos os tons; o pulsar do corpo gigante do mar; búzios e algas variados pelas praias, despertando atenção; painéis coloridos, o céu, o sol, a vida...

Detém-te um pouco a considerar a harmonia que palpita em toda parte, ausculta o coração da natureza, deixa-te arrastar...

Refaze programações, renova o entusiasmo, desasfixiando-te, eliminando tóxicos, miasmas que te excitam no dia-a-dia ou te entorpecem na maior parte das horas...

Nada de complexas e exaustivas arrumações: barracas, farnéis, guloseimas, isto, aquilo...

Algumas horas nada são. Não devem ser complicadas, de modo a não se converterem em nova inquietação, diferente ansiedade.

Se, todavia, acreditares não dispor de tempo, de oportunidade, de meios, de recurso nenhum, senão disposição, abre a janela, à noite e fala às estrelas, escuta os astros fulgurantes e harmoniza-te.

Harmonia é também pão e medicamento. Não a dispenses se pretendes lograr êxito.

Mesmo Jesus, após as atividades de cada dia, ao lado dos amigos, refugiava-se, longe das multidões, no contato com a natureza, orando, para prosseguir em harmonia com o Pai.

Você sabia?

Que existem muitos livros de mensagens escritas pelos Espíritos superiores para nos ajudar a encontrar a felicidade que tanto desejamos?

São nossos irmãos em humanidade que, do outro lado da vida, se compadecem das nossas árduas lutas e nos enviam seus sábios conselhos através de médiuns abnegados.

São mensagens esclarecedoras e que trazem consolo aos corações sofridos.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro Convites da vida, cap. 27, ed. Leal.

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