30 de mar. de 2011

Deixar secar primeiro

Contam que Carlyle, o célebre historiador escocês, quando ainda era muito moço, teve uma questão muito grave com um dos seus companheiros. Um dia, sentindo-se insultado, declarou que ia imediatamente exigir satisfações daquele que o havia ofendido.

Um velho professor, informado do caso, aproximou-se de Carlyle e disse-lhe:

Meu caro amigo. Tenho longa experiência de vida e conheço as conseqüências tristes dos atos impetuosos.

Um insulto é como a lama que cai em nossa blusa. A lama pode ser retirada facilmente, com uma simples escova, quando já está seca.

Deixe secar primeiro. Não seja apressado. Espere até que se acalme, e verá como tudo será facilmente resolvido.

Carlyle aceitou o conselho do professor, e o resultado foi tão feliz que, no dia seguinte, o colega que o insultara veio lhe pedir desculpas.

Malba Tahan, nesta rica passagem, vem nos dizer que, dada a grande diversidade de temperamentos e caracteres humanos, não nos é possível viver em paz com o próximo, sem refrearmos a ira, e insistirmos na prática da mansidão.

Nenhuma resolução sadia pode ser tomada com ímpeto.

Às vezes, numa ação impensada, numa reação violenta, podemos comprometer séculos e séculos de nossas existências.

Alguns segundos de invigilância, permitindo que um pequeno ato de vingança se externe, pode gerar um compromisso imenso para o futuro, através da lei de causa e efeito, que prevê a colheita obrigatória de tudo aquilo que livremente plantamos.

Vale a pena esperar. Vale a pena o esforço de conter um impulso naquele momento em que o nervosismo procura reinar.

Contar até dez. Tomar um banho frio. Fazer uma oração, pedindo auxílio a Deus. Parar tudo que estamos fazendo e refletir para não reagir sem pensar.

Vale a pena o esforço. Vale a pena ter calma.

Se algum dia você for vítima de uma violência, não revide.

Quando receber injúrias, não procure se defender atacando.

Se for caluniado, não acumule ódio e ressentimento em sua alma.

Sabemos que é difícil compreender, perdoar, ainda, mas precisamos começar, precisamos desenvolver esta virtude em nossos corações.

Os maiores beneficiados com isso seremos nós mesmos, pois não seremos mais depósitos de sentimentos impuros, desequilibrados, que insistem em nos fazer infelizes.

Deixe secar primeiro.

***

A terra recebeu, na figura de um homem muito simples, um grande defensor da não-violência.

Mahatma Gandhi, o líder religioso indiano que comandou centenas de hindus, foi a lição viva da desnecessidade da violência para resolver problemas.

Eis aqui um sábio pensamento seu: "não-violência e covardia são termos contraditórios. A não-violência é a maior das virtudes, enquanto a covardia é o maior dos vícios."

A não violência provém do amor, a covardia do ódio.

A não-violência sempre sofre, enquanto a covardia sempre gera o sofrimento.

A perfeita não-violência é a maior das bravuras.

Sua conduta não é jamais desmoralizante, enquanto a forma da covardia se conduzir sempre o é.

Equipe de Redação do Momento Espírita. Fontes de consulta: Livro "Lendas do Céu e da Terra" de Malba Tahan, Deixai secar primeiro, 9.a edição, 1950. Site www.mahatma.org.in.

É possível vencer o câncer

Karen era sociável, bem-humorada, divertida, supervalorizava seus longos cabelos loiros e tinha um grande sonho, o de ser médica pediatra.

Mas era indisciplinada, não estudava para as provas, não lia livros, não tinha garra. Os amigos não davam nenhum crédito a ela quando dizia que ia ser pediatra.

Vivia sua vida sem grandes tempestades, até que passou pelo mais dramático vendaval, pela mais angustiante experiência.

Sofreu algumas tonturas, desmaios, e começou a ter sintomas que preocuparam seus pais.

Feitos alguns exames, diagnosticou-se um tumor cancerígeno.

Foi realmente um grande choque. O mundo desabou. Ela precisava lutar contra um inimigo que não via, e que estava dentro dela.

Passou por algumas cirurgias, quimioterapia, e seus longos e loiros cabelos começaram a cair.

Perdeu o ânimo de se vestir, de se cuidar. Já não sorria, não só pelo medo da doença, mas também por se sentir feia, diminuída e rejeitada.

E assim, construiu conflitos que a bloquearam. Perdeu o prazer de ir à escola, se isolou e se deprimiu.

Karen não devia se deprimir, pois uma pessoa deprimida cuida menos da sua qualidade de vida, diminui sua imunidade, enfraquece sua resistência para lutar contra o câncer.

Precisava de garra para batalhar pela vida.

Certo dia, andava muito abatida nos corredores do hospital em que se tratava. De repente, ouviu gritos de alguns meninos dentro de uma sala. Resolveu entrar.

Ao entrar teve um choque.

Viu seis crianças brincando com bexigas. E o que mais a abalou era que todas estavam com a cabeça brilhante.

Todas estavam em tratamento de câncer.

Convidaram-na para entrar na brincadeira, porém ela se recusou.

Então, uma menina de seis anos, pegando em suas mãos a levou para o centro da sala.

Ao ver o sorriso das crianças e a vontade de viver espelhada nos seus rostos, ela finalmente entrou na folia.

Pulou e brincou. Parecia que o mundo tinha parado.

Ao mesmo tempo em que se divertia, lembrou do sonho de ser pediatra.

Começou a freqüentar aquela sala, e quanto mais freqüentava, mais se sentia fortalecida.

As palavras de incentivo que seus pais lhe haviam dito anteriormente, começaram a germinar. Agora ela pedia forças para lutar pela vida e pelos seus sonhos.

Fortaleceu-se tanto que, mesmo com a queda de cabelo, resolveu voltar à escola.

Antes de entrar na sala, lembrou-se dos tempos que brincava, mexia com os colegas e se divertia sem preocupações...

Todavia, ao entrar na sala Karen levou um susto. Ficou perplexa. Não conseguia acreditar na imagem que via.

Viu a solidariedade! Viu a maioria de seus amigos e suas amigas, calvos.

E eles disseram que rasparam a cabeça para mostrar que estavam juntos nessa luta. Para mostrar que a amavam do jeito que estava, e que ela era linda mesmo sem cabelo.

Karen foi abraçada e beijada por todos seus amigos. Estava admirada diante de tanta manifestação de carinho.

Raramente o amor foi tão longe.

Karen se soltou. Começou a conviver sem medo com as pessoas. Seu ânimo se reacendeu.

Por fim, triunfou. Venceu o câncer.

Foi disciplinada. Começou a se destacar nos estudos e transformou seu sonho em realidade.

Os sonhos não determinam o lugar aonde vamos chegar, mas produzem a força necessária para tirar-nos do lugar em que nos encontramos.

Sonhos são mais que desejos.

Um sonho é um projeto de vida. Resiste aos problemas, pois suas raízes se nutrem nos mananciais profundos da personalidade.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. 1, do livro Filhos brilhantes, alunos fascinantes, de Augusto Cury, Academia de Inteligência.

23 de mar. de 2011

Socorro do Céu

Montado em seu cavalo, o fazendeiro dirigia-se à cidade como fazia frequentemente, a fim de cuidar de seus negócios.

Nunca prestara atenção àquela casa humilde, quase escondida num desvio, à margem da estrada. Naquele dia experimentou insistente curiosidade.

Quem morava ali?

Cedendo ao impulso, aproximou-se. Contornou a residência e, sem desmontar, olhou por uma janela aberta e viu uma garotinha de aproximadamente dez anos, ajoelhada, de mãos postas, olhos lacrimejantes...

Que faz você aí, minha filha?

Estou orando a Deus, pedindo socorro... Meu pai morreu, minha mãe está doente, meus quatro irmãos têm fome...

Que bobagem! - disse o fazendeiro. O Céu não ajuda ninguém! Está muito distante... Temos que nos virar sozinhos!

Embora irreverente e um tanto rude, era um homem de bom coração. Compadeceu-se, tirou do bolso boa soma em dinheiro e a entregou à menina.

Aí está. Vá comprar comida para os irmãos e remédio para a mamãe! E esqueça a oração.

Isto feito, retornou à estrada. Antes de completar duzentos metros, decidiu verificar se sua orientação estava sendo observada.

Para sua surpresa, a pequena devota continuava de joelhos.

Ora essa, menina! Por que não vai fazer o que recomendei? Não lhe expliquei que não adianta pedir?

E a menina, feliz, respondeu: Já não estou mais pedindo, estou apenas agradecendo. Pedi a Deus e ele enviou o senhor!

* * *

Consagrada por todas as religiões, a oração é o canal divino que favorece a assimilação das bênçãos do Céu.

Da mesma forma que é importante ter um roteiro para a jornada terrestre, que nos diga de onde viemos e para onde vamos, é importante manter contato com as esferas superiores, favorecendo o amparo dos benfeitores do Além.

Esse apoio manifesta-se de duas formas: objetivamente, como na historieta narrada, em que mobilizam as circunstâncias em nosso favor. E subjetivamente, em que nos falam através da inspiração, oferecendo-nos equilíbrio e serenidade para superar os obstáculos do caminho.

* * *

A prece é o orvalho divino que aplaca o calor excessivo das paixões. Filha primogênita da fé, ela nos encaminha para a senda que conduz ao Criador.

Quando a oração sincera brota do coração, proporciona doces emoções. É como suave brisa matinal que perpassa nossa alma inebriando-a de perfume.

É através da prece que podemos abrir os canais mentais para ouvir as vozes brandas e suaves dos imortais.
  
Redação do Momento Espírita, com base no cap. O socorro do céu, do livro Uma razão para viver, de Richard Simonetti, ed.Gráfica São João e no item 23 do cap. XXVII do livro O evangelho segundo o Espiritismo,de Allan Kardec, ed. Feb. Disponível no CD Momento Espírita, v.2, ed. Fep.

21 de mar. de 2011

Deus criou tudo ?

Alemanha – Inicio do século XX

Durante uma conferência com vários universitários, um professor da
Universidade de Berlim desafiou seus alunos com a pergunta:
“Deus criou tudo o que existe?"

Um aluno respondeu com grande certeza:
-Sim, Ele criou!

-Deus criou tudo?
Perguntou novamente o professor.

-Sim senhor, respondeu o jovem.

O professor indagou:
-Se Deus criou tudo, então Deus fez o mal? Pois o mal existe, e
partindo do preceito de que nossas obras são um reflexo de nós mesmos,
então Deus é mau?

O jovem ficou calado diante de tal resposta e o professor, se
regozijava de ter provado mais uma vez que a fé era uma perda de
tempo.

Outro estudante levantou a mão e disse:
-Posso fazer uma pergunta, professor?
-Lógico, foi a resposta do professor.

O jovem ficou de pé e perguntou:
-Professor, o frio existe?
-Que pergunta é essa? Lógico que existe, ou por acaso você nunca sentiu frio?

Com uma certa imponência rapaz respondeu:
-De fato, senhor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que
consideramos frio, na realidade é a ausência de calor. Todo corpo ou
objeto é suscetível de estudo quando possui ou transmite energia, o
calor é o que faz com que este corpo tenha ou transmita energia. O
zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos
ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Nós criamos
essa definição para descrever como nos sentimos se não temos calor.

-E, existe a escuridão? Continuou o estudante.
O professor respondeu temendo a continuação do estudante: Existe!

O estudante respondeu:
-Novamente comete um erro, senhor, a escuridão também não existe. A
escuridão na realidade é a ausência de luz. A luz pode-se estudar, a
escuridão não! Até existe o prisma de Nichols para decompor a luz
branca nas várias cores de que está composta, com suas diferentes
longitudes de ondas. A escuridão não!

Continuou:
-Um simples raio de luz atravessa as trevas e ilumina a superfície
onde termina o raio de luz.
Como pode saber quão escuro está um espaço determinado? Com base na
quantidade de luz presente nesse espaço, não é assim?! Escuridão é uma
definição que o homem desenvolveu para descrever o que acontece quando
não há luz presente.

Finalmente, o jovem perguntou ao professor:
-Senhor, o mal existe?

Certo de que para esta questão o aluno não teria explicação, professor
respondeu:
-Claro que sim! Lógico que existe. Como disse desde o começo, vemos
estupros, crimes e violência no mundo todo, essas coisas são do mal!

Com um sorriso no rosto o estudante respondeu:
-O mal não existe, senhor, pelo menos não existe por si mesmo. O mal é
simplesmente a ausência do bem, é o mesmo dos casos anteriores, o mal
é uma definição que o homem criou para descrever a ausência de Deus.
Deus não criou o mal. Não é como a fé ou como o amor, que existem como
existem o calor e a luz. O mal é o resultado da humanidade não ter
Deus presente em seus corações. É como acontece com o frio quando não
há calor, ou a escuridão quando não há luz.

Por volta dos anos 1900, este jovem foi aplaudido de pé, e o professor
apenas balançou a cabeça
permanecendo calado… Imediatamente o diretor dirigiu-se àquele jovem e
perguntou qual era seu nome?

E ele respondeu:
ALBERT EINSTEIN, senhor!

7 de mar. de 2011

SUPERIORIDADE DA NATUREZA DE JESUS

1. Os fatos que o Evangelho relata e que foram até hoje
considerados milagrosos pertencem, na sua maioria, à ordem
dos fenômenos psíquicos, isto é, dos que têm como
causa primária as faculdades e os atributos da alma. Con-
frontando-os com os que ficaram descritos e explicados no
capítulo precedente, reconhecer-se-á sem dificuldade que
há entre eles identidade de causa e de efeito. A História
registra outros análogos, em todos os tempos e no seio de
todos os povos, pela razão de que, desde que há almas encarnadas
e desencarnadas, os mesmos efeitos forçosamente
se produziram. Pode-se, é certo, contestar, no que
concerne a este ponto, a veracidade da História; mas, hoje,
eles se produzem às nossas vistas e, por assim dizer, à vontade
e por indivíduos que nada têm de excepcionais. O só
fato da reprodução de um fenômeno, em condições idênticas,
basta para provar que ele é possível e se acha submetido
a uma lei, não sendo, portanto, miraculoso.

O princípio dos fenômenos psíquicos repousa, como já
vimos, nas propriedades do fluido perispiritual, que constitui
o agente magnético; nas manifestações da vida espiritual
durante a vida corpórea e depois da morte; e, finalmente,
no estado constitutivo dos Espíritos e no papel que
eles desempenham como força ativa da Natureza. Conhecidos
estes elementos e comprovados os seus efeitos, tem-se,
como conseqüência, de admitir a possibilidade de certos
fatos que eram rejeitados enquanto se lhes atribuía uma
origem sobrenatural.

2. Sem nada prejulgar quanto à natureza do Cristo, natureza
cujo exame não entra no quadro desta obra, considerando-
o apenas um Espírito superior, não podemos deixar
de reconhecê-lo um dos de ordem mais elevada e colocado,
por suas virtudes, muitíssimo acima da humanidade terrestre.
Pelos imensos resultados que produziu, a sua encarnação
neste mundo forçosamente há de ter sido uma
dessas missões que a Divindade somente a seus mensageiros
diretos confia, para cumprimento de seus desígnios.
Mesmo sem supor que ele fosse o próprio Deus, mas unicamente
um enviado de Deus para transmitir sua palavra aos
homens, seria mais do que um profeta, porquanto seria um
Messias divino.

Como homem, tinha a organização dos seres carnais;
porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia
de viver mais da vida espiritual, do que da vida corporal, de
cujas fraquezas não era passível. A sua superioridade com
relação aos homens não derivava das qualidades particulares
do seu corpo, mas das do seu Espírito, que dominava
de modo absoluto a matéria e da do seu perispírito, tirado
da parte mais quintessenciada dos fluidos terrestres (cap.
XIV, nº 9). Sua alma, provavelmente, não se achava presa
ao corpo, senão pelos laços estritamente indispensáveis.
Constantemente desprendida, ela decerto lhe dava dupla
vista, não só permanente, como de excepcional penetração
e superior de muito à que de ordinário possuem os homens
comuns. O mesmo havia de dar-se, nele, com relação a
todos os fenômenos que dependem dos fluidos perispirituais
ou psíquicos. A qualidade desses fluidos lhe conferia imensa
forca magnética, secundada pelo incessante desejo de
fazer o bem.

Agiria como médium nas curas que operava? Poder-
-se-á considerá-lo poderoso médium curador? Não, porquanto
o médium é um intermediário, um instrumento de que
se servem os Espíritos desencarnados e o Cristo não precisava
de assistência, pois que era ele quem assistia os outros.
Agia por si mesmo, em virtude do seu poder pessoal,
como o podem fazer, em certos casos, os encarnados, na
medida de suas forças. Que Espírito, ao demais, ousaria
insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de
os transmitir? Se algum influxo estranho recebia, esse só
de Deus lhe poderia vir. Segundo definição dada por um
Espírito, ele era médium de Deus.
(A Genese, pag 393 - 396 Allan Kardec)

2 de mar. de 2011

Sede Perfeitos

1. Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que
vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e
caluniam. – Porque, se somente amardes os que
vos amam, que recompensa tereis disso? Não
fazem assim também os publicanos? – Se unicamente
saudardes os vossos irmãos, que fazeis
com isso mais do que outros? Não fazem o
mesmo os pagãos? –
Sede, pois, vós outros, perfeitos,
como perfeito é o vosso Pai celestial.
(S. MATEUS, 5:44, 46 a 48.)

2. Pois que Deus possui a perfeição infinita em todas as
coisas, esta proposição: “Sede perfeitos, como perfeito é o
vosso Pai celestial”, tomada ao pé da letra, pressuporia a
possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta. Se à criatura
fosse dado ser tão perfeita quanto o Criador, tornar-se-ia
ela igual a este, o que é inadmissível. Mas, os homens a
quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo
que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a
dizer-lhes que se esforçassem pelo alcançar.
Aquelas palavras, portanto, devem entender-se no sentido
da perfeição relativa, a de que a Humanidade é suscetível
e que mais a aproxima da Divindade. Em que consiste
essa perfeição? Jesus o diz: “Em amarmos os nossos inimigos,
em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos
pelos que nos perseguem.” Mostra ele desse modo que a
essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção,
porque implica a prática de todas as outras virtudes.
Com efeito, se se observam os resultados de todos os
vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconhecer-se-á nenhum
haver que não altere mais ou menos o sentimento da
caridade, porque todos têm seu princípio no egoísmo e no
orgulho, que lhes são a negação; e isso porque tudo o que
sobreexcita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo
menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade,
que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o
devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até
ao amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário
à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior
ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau
da perfeição está na razão direta da sua extensão. Foi por
isso que Jesus, depois de haver dado a seus discípulos as
regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse:
“Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai celestial.”

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

1 de mar. de 2011

O Amor

Todo o poder da alma resume-se em três palavras: querer, saber, amar!
Querer, isto é, fazer convergir toda a atividade, toda a energia, para o alvo que se tem de atingir, desenvolver a vontade e aprender a dirigi-la.
Saber, porque sem o estudo profundo, sem o conhecimento das coisas e das leis, o pensamento e a vontade podem transviar-se no meio das forças que procuram conquistar e dos elementos a quem aspiram governar.
Acima de tudo, porém, é preciso amar, porque sem o amor, a vontade e a ciência seriam incompletas e muitas vezes estéreis. O amor ilumina-as, fecunda-as, centuplica-lhes os recursos. Não se trata aqui do amor que contempla sem agir, mas do que se aplica a espalhar o bem e a verdade pelo mundo. A vida terrestre é um conflito entre as forças do mal e as do bem. O dever de toda alma viril é tomar parte no combate, trazer-lhe todos os seus impulsos, todos os seus meios de ação, lutar pelos outros, por todos aqueles que se agitam ainda na via escura.
O uso mais nobre que se pode fazer das faculdades é trabalhar por engrandecer, desenvolver, no sentido do belo e do bem, a civilização, a sociedade humana, que tem as suas chagas e fealdades, sem dúvida, mas que é rica de esperanças e magníficas promessas; essas promessas transformar-se-ão em realidade vivaz no dia em que a humanidade tiver aprendido a comungar, pelo pensamento e pelo coração, com o foco de amor, que é o esplendor de Deus.
Amemos, pois, com todo o poder do nosso coração; amemos até ao sacrifício, como Joana d'Arc amou a França, como o Cristo amou a humanidade, e todos aqueles que nos rodeiam receberão nossa influência, sentir-se-ão nascer para nova vida.
Ó homem, procura em volta de ti as chagas a pensar, os males a curar, as aflições a consolar. Alarga as inteligências, guia os corações transviados, associa as forças e as almas, trabalha para ser edificada a alta cidade de paz e de harmonia que será a cidade de amor, a cidade de Deus! Ilumina, levanta, purifica! Que importa que se riam de ti! Que importa que a ingratidão e a maldade se levantem na tua frente! Aquele que ama não recua por tão pouca coisa; ainda que colha espinhos e silvas, continua sua obra, porque esse é seu dever, sabe que a abnegação o engrandece.
O próprio sacrifício também tem suas alegrias; feito com amor, transforma as lágrimas em sorrisos, faz nascer em nós alegrias desconhecidas do egoísta e do mau. Para aquele que sabe amar, as coisas mais vulgares são de interesse; tudo parece iluminar-se; mil sensações novas despertam nele.
São necessários à sabedoria e à Ciência longos esforços, lenta e penosa ascensão para conduzir-nos às altas regiões do pensamento. O amor e o sacrifício lá chegam de um só pulo, com um único bater de asas. Na sua impulsão conquistam a paciência, a coragem, a benevolência, todas as virtudes fortes e suaves. O amor depura a inteligência, engrandece o coração e é pela soma de amor acumulada em nós que podemos avaliar o caminho que temos percorrido até Deus.
(Extraido do livro O Problema do Ser do Destino e da Dor - Leon Denis)

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