2 de mar. de 2011

Sede Perfeitos

1. Amai os vossos inimigos; fazei o bem aos que
vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e
caluniam. – Porque, se somente amardes os que
vos amam, que recompensa tereis disso? Não
fazem assim também os publicanos? – Se unicamente
saudardes os vossos irmãos, que fazeis
com isso mais do que outros? Não fazem o
mesmo os pagãos? –
Sede, pois, vós outros, perfeitos,
como perfeito é o vosso Pai celestial.
(S. MATEUS, 5:44, 46 a 48.)

2. Pois que Deus possui a perfeição infinita em todas as
coisas, esta proposição: “Sede perfeitos, como perfeito é o
vosso Pai celestial”, tomada ao pé da letra, pressuporia a
possibilidade de atingir-se a perfeição absoluta. Se à criatura
fosse dado ser tão perfeita quanto o Criador, tornar-se-ia
ela igual a este, o que é inadmissível. Mas, os homens a
quem Jesus falava não compreenderiam essa nuança, pelo
que ele se limitou a lhes apresentar um modelo e a
dizer-lhes que se esforçassem pelo alcançar.
Aquelas palavras, portanto, devem entender-se no sentido
da perfeição relativa, a de que a Humanidade é suscetível
e que mais a aproxima da Divindade. Em que consiste
essa perfeição? Jesus o diz: “Em amarmos os nossos inimigos,
em fazermos o bem aos que nos odeiam, em orarmos
pelos que nos perseguem.” Mostra ele desse modo que a
essência da perfeição é a caridade na sua mais ampla acepção,
porque implica a prática de todas as outras virtudes.
Com efeito, se se observam os resultados de todos os
vícios e, mesmo, dos simples defeitos, reconhecer-se-á nenhum
haver que não altere mais ou menos o sentimento da
caridade, porque todos têm seu princípio no egoísmo e no
orgulho, que lhes são a negação; e isso porque tudo o que
sobreexcita o sentimento da personalidade destrói, ou, pelo
menos, enfraquece os elementos da verdadeira caridade,
que são: a benevolência, a indulgência, a abnegação e o
devotamento. Não podendo o amor do próximo, levado até
ao amor dos inimigos, aliar-se a nenhum defeito contrário
à caridade, aquele amor é sempre, portanto, indício de maior
ou menor superioridade moral, donde decorre que o grau
da perfeição está na razão direta da sua extensão. Foi por
isso que Jesus, depois de haver dado a seus discípulos as
regras da caridade, no que tem de mais sublime, lhes disse:
“Sede perfeitos, como perfeito é vosso Pai celestial.”

EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

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