30 de ago. de 2012

Morte infantil

A morte sempre dilacera corações.

Quando se trata de crianças em tenra idade, parece ainda pior.

À dor dos pais, une-se a dos amigos e conhecidos e ela vai crescendo como uma bola de neve.

Normalmente termina com gritos de revolta contra a Divindade e Sua sabedoria.

A verdadeira beleza

Estamos vivendo um tempo em que a beleza física é a grande preocupação. Prolifera o número de academias de ginástica para a malhação, aumenta o número de clínicas de estética.

As artistas são questionadas a respeito dos seus segredos para se manterem belas, jovens e de corpo perfeito.

Observa-se que as adolescentes em especial buscam o mundo da moda, desejam se tornar modelos, não medindo esforços para isso.

A música e o coração

A música e o coração têm mistérios que entre si se relacionam.

É por isso que a uns agrada mais esta ou aquela melodia.

Tal sinfonia faz vibrar os sentimentos de determinada pessoa, enquanto que a outra pouco agrada, ou, mesmo, aborrece.

Cada indivíduo, segundo as condições especialíssimas do seu estado psíquico, fica mais ou menos em consonância com determinada harmonia de uma música.

Tédio

Muitas pessoas estabelecem objetivos de vida, que passam a ser buscados com intensa determinação.

Limitam seus interesses na conquista de seus sonhos e quando os alcançam nem sempre encontram neles o sentido e o significado que esperavam.

A meta, que por tanto tempo representou a razão de viver, cede lugar ao tédio, empurrando os seres para os abismos da depressão ou dos vícios.

Por vezes, são pais que colocam na vida dos filhos os próprios sonhos.

Projetam no futuro de seus rebentos os desejos que eles próprios não puderam realizar.

No entanto, os filhos crescem e devem enfrentar as próprias lutas e dar curso às próprias vidas.

Por vezes a constatação dessa verdade causa nos pais, mais despreparados, amarga aflição.

Outros, ainda, anseiam por alcançar um patamar elevado na carreira para amealhar, assim, consideráveis recursos financeiros.

Porém, quando seus objetivos se realizam, sentem-se desestimulados.

Há aqueles que se esforçam para ter fama e destaque na sociedade e que, quando os alcançam, amargurados e vazios, entregam-se às drogas e aos abusos do sexo.

Inquietação e desequilíbrio costumam servir de base na busca por objetivos imediatos de prazer e de satisfação.

Tais metas são frutos do egoísmo que ainda move os seres, e quando alcançadas produzem tão-somente rápida e passageira satisfação.

Em pouco tempo a antiga e conhecida sensação de aborrecimento e de vazio volta a exercer forte influência no cotidiano.

Como se todo o esforço tivesse sido vão.

Como se toda a luta não tivesse valido a pena.

Nos lábios, a impressão de que alguma palavra ficou faltando.

Na boca, a permanente sensação de sede.

É a fome de realização plena.

É uma sensação de que, em sonho, tudo era mais belo e satisfatório.

É o tédio, terrível flagelo que consome existências.

Silencioso e ardiloso, penetra suavemente no comportamento, instalando-se na mente e no sentimento, depauperando e dominando os indivíduos.

Quando te percebas a um passo do tédio, assume nova postura e busca uma atividade que te preencha o tempo físico e mental de forma útil.

Nunca te consideres impossibilitado de trabalhar, de agir no bem e de produzir.

Considera o esforço dos artistas sem braços, sem pernas, que se revelaram excelentes pintores, escultores, desenhistas, ricos de inspiração e de alegria de viver.

Reflete sobre a vida de outros deficientes que se transformaram em mensageiros da renovação interior, tornando-se membros indispensáveis da economia moral e social no mundo.

O esforço que lhes foi exigido não lhes concedeu tempo para qualquer forma de tédio ou de desinteresse, entregando-se à lamentação ou ao desencanto.

Não cesses de edificar, nem te permitas contemplar a retaguarda do já feito.

Examina a perspectiva do quanto ainda necessitas realizar.

Aspira à conquista do infinito e nunca te sentirás entediado com os logros conseguidos.

Quem se basta com as aquisições meramente materiais ainda não alcançou a real maturidade, nem descobriu as prioritárias metas existenciais.

Aquele que anela pela alegria de viver, não apenas pelo que consiga deter nas mãos, jamais será vítima do tédio, porque estará sempre em ação, sentindo-se útil e pleno.
 

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no capítulo 13 do livro Diretrizes para o êxito, de Divaldo Pereira Franco, ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

A face do Senhor

Narra antiga lenda que, após a descida de Jesus da cruz, Nicodemos, muito comovido, guardou o lenho e pôs-se a esculpir nele o amado amigo, conforme o vira pela última vez.

Trabalhou por largo período com esforço e carinho, realizando uma escultura excepcional.

Deixara, porém, o rosto para fazê-lo em último lugar.

No entanto, por mais que tentasse não conseguia transmitir à madeira rústica a incomparável expressão de sofrimento e amor com que o Mestre exalara o último suspiro.

Já desanimado e supondo-se incapaz de fazê-lo, adormeceu, numa oportunidade, exausto e triste, ante a magnífica obra inacabada.

Sonhou, então, que um anjo se acercou da escultura e, rapidamente realizou o que ele tanto desejara fazer sem o conseguir.

No auge do júbilo, Nicodemos despertou e, antes de lamentar haver sido apenas um sonho, se deparou com a face do Cristo superiormente esculpida, completando com perfeição o conjunto harmonioso.

Na cidade de Lucca, na Itália, encontra-se a "Santa Face", uma obra escultural de autor desconhecido, que a fantasia popular e religiosa vestiu de lenda...

Deixando à margem o exagero, descobrimos uma simbologia oportuna que merece reflexão.

Na sociedade moderna, em que a justiça, o amor e a liberdade são sacrificados, permanecem os instrumentos de flagelação que o cristão, à semelhança de Nicodemos, deve transformar na face da paz e do perdão em favor de uma vida digna de ser preservada.

Quando, no entanto, os esforços parecerem inúteis e vãos, já à beira do desalento, os Espíritos da Luz vêm auxiliar a completar a obra que refletirá a presença do Cristo sustentando a criatura desesperada e infeliz.

***

Cada um vê a face do Senhor, no mundo, conforme a sua necessidade.

Madalena a viu de uma maneira diversa de Pilatos.

Pedro a conhecia de forma diferente de Judas.

João percebia a face do Mestre de forma diversa de Tomé, e assim por diante.

E ainda hoje é assim.

Deixe-se, pois, esculpir pelos anjos, de modo a oferecer a todos, a confortadora face do Senhor impressa em sua conduta.
 

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(Baseado no livro Seara do Bem, cap. 24 - A Face do Senhor)

Um sábio diferente

Conta-se que vivia em um velho hotel em Marrakech, um homem de nome Vladimir Kolievich.

Falava pouco e quando conversava com os outros hóspedes não fazia referências sobre seu passado.

Deixava, às vezes, escapar observações eruditas, que davam mostras de grande e extraordinário saber.

Uma noite, quando vários hóspedes se encontravam reunidos na sala, uma jovem escritora russa perguntou se alguém saberia onde ficava um rio de nome Falgu.

Embora se tratassem de pessoas cultas e estudiosas, todos confessaram ignorar tal informação.

Para surpresa geral, porém, o misterioso Vladimir aproximou-se dizendo: "o rio falgu fica perto da cidade de Gaya, na Índia.

Para os budistas é considerado um rio sagrado, pois junto a ele Buda teria recebido a inspiração divina."

Diante da admiração de todos, ele continuou: "seu leito apresenta-se coberto de areia, parecendo eternamente seco, árido como um deserto.

O viajante que dele se aproxima não vê água, nem ouve o menor rumor do líquido. Cavando-se, porém, alguns palmos na areia, encontra-se um lençol de água pura e límpida."

E com a simplicidade e a clareza peculiares aos grandes sábios, passou a contar coisas curiosas, não só da índia, mas também de diversas partes do mundo.

Falou sobre "Filanezes", espécie de cadeiras usadas pelos habitantes de Madagascar, quando viajam.

Depois discorreu a respeito da vida e da obra de diversos romancistas franceses.

Todos estavam admirados com a facilidade com que ele passava de um assunto para outro, sem perder a segurança, não deixando pairar qualquer dúvida sobre a extensão de seus conhecimentos.

De repente começou uma forte ventania e algumas pessoas ali presentes mostraram-se assustadas.

Vladimir acalmou a todos, tecendo comentários esclarecedores sobre variados flagelos da natureza.

No dia seguinte um dos hóspedes, seriamente intrigado, procurou Vladimir para saber, afinal, quem seria aquele sábio que quase passara ignorado: "o senhor maravilhou-nos ontem com seu saber.

Não imaginávamos que tivesse tão grande cultura.

Na sua academia, com certeza..."

Foi interrompido por Vladimir que se sentia muito constrangido pela forma como era tratado.

"Não me considere um sábio.

Eu pouco sei, ou melhor, nada sei.

Não reparou nas palavras de que tratei?

Falgu, Filanezes, França, flagelos ...

Todas começam com a letra ‘f’."

Como o seu interlocutor parecia surpreso, explicou: "estive, por motivos políticos, preso durante dez anos nas prisões da Sibéria.

O condenado que havia ficado antes na cela em que me puseram, deixou os restos de uma velha enciclopédia.

Como não havia com o que mais me ocupar, li e reli, centenas de vezes as páginas que possuía. Eram todas da letra ‘f’.

Sou precisamente o contrário do rio Falgu, pois pareço possuir uma correnteza enorme e profunda de saber.

No entanto, minha erudição não vai além de alguns verbetes decorados da letra ‘f’ de uma velha enciclopédia."

Pensamento

As pessoas costumam se iludir facilmente com aparências e belas palavras.

Criam expectativas, idolatram os outros, para logo em seguida, ao conhecê-los um pouco melhor se dizerem desapontados e desiludidos.

Só se desilude quem se ilude, porque buscamos mitos e modelos em seres tão imperfeitos quanto nós mesmos.

Jesus, nosso Irmão e Mestre, sim, é o único Modelo seguro do qual podemos nos valer, hoje e sempre.
 


Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no livro os Melhores Contos, de Malba Tahan, pp. 19-23, Editora Record, 17ª edição.

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