1 de jan. de 2013

A RESPOSTA DO BENFEITOR


Em plena reunião, Venâncio o orientador espiritual, senhoreava o aparelho mediúnico e falava
para a assembléia de oito pessoas:
- É o culto do Evangelho meus amigos. Precisamos de companheiros que se disponham a
efetuá-lo no ambiente de nossos irmãos Silverini. A família recorre aos nossos préstimos e
apelaremos por nossa vez, para a misericórdia do Senhor. O Evangelho é a nossa carta de
crédito e o quadro é doloroso. Cinco jovens obsidiados. Imaginem-se vocês no lugar desses pais
de coração aflito. A palavra da Boa Nova, porém transformará o clima domestico. Com o
ensinamento de Jesus, os desencarnados menos felizes mostrar-se-ão tocados de remorso e os
amigos que nos propomos socorrer encontrarão forças multiplicadas para a sustentação da
paciência. Para isso, nós os humildes trabalhadores espirituais, necessitamos das vozes e das
mãos de vocês. Estimaremos assim, ouvi-los a respeito do assunto. Quem do grupo é capaz de
ajudar-nos nesse cometimento? Basta estejamos na casa dos Silverini, duas horas por noite,
duas vezes por semana...

Ninguém respondeu.
Venâncio, contudo voltou à carga, perguntando nominalmente:
- Que me diz César?
E César o diretor da equipe gaguejou:
- Eu meu amigo? Realmente não tenho qualidades. Sou um lobo em pele de ovelha. Estou aqui
por acaso. Tenho um gênio rude, violento... Receio agravar a situação...
E o curioso inquérito prosseguiu.
- E a senhora irmã Júlia?
- Decididamente, sou a última – respondeu a dama referida. – Reconheço-me incapaz. Em casa,
todos me dizem descontrolada, falastrona...
- E a senhora, irmã Nícia?
- Ora, Venâncio, temos em sua presença o carinho de um pai; no entanto, a sua bondade
compreenderá... Sou mãe solteira. Você sabe que a Doutrina Espírita foi minha tábua de
salvação, para que não descesse a muitos desatinos. Não tenho coragem de enfrentar...
- E a senhora, irmã Cláudia?
- Ainda sou uma obsidiada. Há momentos em que sinto enorme dificuldade para suportar a mim
própria. Creio que minha cooperação apenas conseguiria piorar...
- E o nosso Lauro?
O moço apontado tartamudeou triste:
- Quando vim para cá era fichado na polícia. Com a benção de Deus, sou agora outro homem.
Ainda assim, temo criar problemas...
- E a irmã Gina?
- Eu, Venâncio? Logo eu? – disse a senhora que fora nomeada – também não posso... Sou um
abismo de inferioridades e tentações...
- E o irmão Souza?
- Minha boa vontade é grande – afirmou o amigo chamado a testemunho -; contudo, sofri pesada
falência no ano passado. Desde que fechei minha loja, tenho letras protestadas... De que jeito
iria falar no Evangelho? Dou graças a Deus por não estar na cadeia...
- E você irmão Ciro?
Entretanto, o rapas trazido a pronunciar-se, explicou:
- Sou franco... Não passo de um animal. Sem o amparo de nossa reunião, estaria na sarjeta.
O silêncio caiu pesado.
Venâncio, após refletir alguns momentos, retomou a palavra e orou com inflexão de profunda
tristeza, rogando a Jesus encorajamento ao trabalho.
Havia, porém, tanta amargura na voz do amigo espiritual, que, ao término da petição o dirigente
da casa indagou, inquieto:
- Ouça Venâncio! Está você agastado conosco?
- De modo algum – replicou o benfeitor.
E acrescentou:
- Cada um dá o que tem. Sei que experimentam grandes obstáculos. Mas se vocês estão
aguardando asas de anjos para poderem auxiliar na Terra, eu sou alma humana com
necessidade de serviço, a fim de curar as minhas próprias imperfeições... Até que vocês
cheguem ao Céu, vai levar muito tempo, e eu, sinceramente, não posso esperar...
E antes que os amigos, repentinamente despertos para a responsabilidade, conseguissem emitir
novas opiniões, Venâncio despediu-se.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pesquise Cursos On-line Aqui