André Luiz - Nas esferas elevadas, as almas
superiores identificam motivo de honra
no serviço de amparo aos companheiros menos evolvidos que estagiam nos planos inferiores.
Não podemos olvidar que, na Terra, o matrimônio
pode assumir aspectos variados,
objetivando múltiplos fins. Em razão disso, acidentalmente, o homem ou a
mulher encarnados podem experimentar o
casamento terrestre diversas vezes, sem encontrar a companhia das almas afins com as quais
realizariam a união ideal. Isso porque,
comumente, é preciso resgatar essa ou aquela dívida que contraímos com a
energia sexual, aplicada de maneira
infeliz, ante os princípios de causa e efeito.
Entretanto, se o matrimônio expiatório ocorre em
núpcias secundárias, o cônjuge liberado
da veste física, quando se ajuste à afeição nobre, freqüentemente se coloca a serviço da companheira ou do
companheiro na retaguarda, no que exercita
a compreensão e o amor puro. Quanto à reunião no Plano Espiritual, é
razoável se mantenha aquela em que
prevaleça a conjunção dos semelhantes, no grau mais elevado da escala de afinidades eletivas. Se
os viúvos e as viúvas das núpcias
efetuadas em grau menor de afinidade demonstram sadia condição de entendimento, são habitualmente conduzidos, depois da
morte, ao convívio do casal restituído à
comunhão, desfrutando posição análoga à dos filhos queridos junto dos
pais terrenos, que por eles se submetem
aos mais eloqüentes e multifários testemunhos
de caridade e sacrifício pessoal para que atendam, dignamente, à
articulação dos próprios destinos.
Contudo, se a desesperação do ciúme ou a nuvem do
despeito enceguecem esse ou aquele
membro da equipe fraterna, os cônjuges reassociados no plano superior amparam-lhe a reencarnação, à maneira de
benfeitores ocultos, interpretando-lhes
a rebelião por sintoma enfermiço, sem lhes retirar o apoio amigo, até
que se reajustem no tempo.
Ninguém veja nisso inovação ou desrespeito ao
sentimento alheio, porquanto o lar
terrestre enobrecido, se analisado sem preconceitos, permanece
estruturado nessas mesmas bases
essenciais, de vez que os pais humanos recebem , muitas vezes, por filhos e filhas, aqueles mesmos laços do
passado, com os quais atendem ao resgate
de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos,
partilhando compromissos ou aprimorando
relações afetivas de alma para alma. É nessa condição que em muitas circunstâncias surgem nas
entidades renascentes, sem que o véu da
reencarnação lhes esconda de todo a memória, as psiconeuroses e
fixações infanto-juvenis, cuja
importância na conduta sexual da personalidade é exagerada em excesso pelos sexólogos e psicanalistas da
atualidade, carentes de mais amplo
contato com as realidades do Espírito e da reencarnação, que lhe
permitiriam ministrar aos seus pacientes
mais efetivo socorro de ordem moral.
Quanto ao divórcio, segundo os nossos
conhecimentos no Plano Espiritual, somos de
parecer não deva ser facilitado ou estimulado entre os homens, porque não
existem na Terra uniões conjugais,
legalizadas ou não, sem vínculos graves no princípio da responsabilidade assumida em comum.
Mal saídos do regime poligâmico, os homens e as
mulheres sofrem-lhe ainda as sugestões
animalizantes e, por isso mesmo, nas primeiras dificuldades da tarefa a que foram chamados, costumam desertar dos
postos de serviço em que a vida os
situa, alegando imaginárias incompatibilidades e supostos embaraços,
quase sempre simplesmente atribuíveis ao
desregrado narcisismo de que são portadores. E com isso exercem viciosa tirania sobre o sistema
psíquico do companheiro ou da
companheira mutilados ou doentes, necessitados ou ignorantes, após
explorar-lhes o mundo emotivo, quando
não se internam pelas aventuras do homicídio ou do suicídio espetaculares, com a fuga voluntária
de obrigações preciosas.
É imperioso, assim, que a sociedade humana
estabeleça regulamentos severos a
benefício de nossos irmãos contumazes na infidelidade aos compromissos
assumidos consigo próprios, a benefício
deles, para que não se agreguem a maior desgoverno, e a benefício de si mesma, a fim de que não
regresse à promiscuidade aviltante das
tabas obscuras, em que o princípio e a dignidade da família ainda são plenamente desconhecidos.
Entretanto, é imprescindível que o sentimento de
humanidade interfira nos casos
especiais, em que o divórcio é o mal menor que possa surgir entre os
grandes males pendentes sobre a fronte
do casal, sabendo-se, porém, que os devedores de hoje voltarão amanhã ao acerto das próprias
contas.
ANDRÉ LUIZ
(Do livro "Evolução em Dois Mundos",
Parte II, André Luiz/Chico Xavier/Waldo
Vieira, FEB)
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