28 de mai. de 2013

Algumas noções acerca do matrimônio, bem como do divórcio.

Poderíamos receber algumas noções acerca do matrimônio, bem como do divórcio  no Plano Físico?

André Luiz - Nas esferas elevadas, as almas superiores identificam motivo de  honra no serviço de amparo aos companheiros menos evolvidos que estagiam nos  planos inferiores.

Não podemos olvidar que, na Terra, o matrimônio pode assumir aspectos variados,  objetivando múltiplos fins. Em razão disso, acidentalmente, o homem ou a mulher  encarnados podem experimentar o casamento terrestre diversas vezes, sem encontrar  a companhia das almas afins com as quais realizariam a união ideal. Isso porque,  comumente, é preciso resgatar essa ou aquela dívida que contraímos com a energia  sexual, aplicada de maneira infeliz, ante os princípios de causa e efeito.

Entretanto, se o matrimônio expiatório ocorre em núpcias secundárias, o cônjuge  liberado da veste física, quando se ajuste à afeição nobre, freqüentemente se  coloca a serviço da companheira ou do companheiro na retaguarda, no que exercita  a compreensão e o amor puro. Quanto à reunião no Plano Espiritual, é razoável se  mantenha aquela em que prevaleça a conjunção dos semelhantes, no grau mais  elevado da escala de afinidades eletivas. Se os viúvos e as viúvas das núpcias  efetuadas em grau menor de afinidade demonstram sadia condição de entendimento,  são habitualmente conduzidos, depois da morte, ao convívio do casal restituído à  comunhão, desfrutando posição análoga à dos filhos queridos junto dos pais  terrenos, que por eles se submetem aos mais eloqüentes e multifários testemunhos  de caridade e sacrifício pessoal para que atendam, dignamente, à articulação dos  próprios destinos.

Contudo, se a desesperação do ciúme ou a nuvem do despeito enceguecem esse ou  aquele membro da equipe fraterna, os cônjuges reassociados no plano superior  amparam-lhe a reencarnação, à maneira de benfeitores ocultos, interpretando-lhes  a rebelião por sintoma enfermiço, sem lhes retirar o apoio amigo, até que se  reajustem no tempo.

Ninguém veja nisso inovação ou desrespeito ao sentimento alheio, porquanto o lar  terrestre enobrecido, se analisado sem preconceitos, permanece estruturado nessas  mesmas bases essenciais, de vez que os pais humanos recebem , muitas vezes, por  filhos e filhas, aqueles mesmos laços do passado, com os quais atendem ao resgate  de antigas contas, purificando emoções, renovando impulsos, partilhando  compromissos ou aprimorando relações afetivas de alma para alma. É nessa condição  que em muitas circunstâncias surgem nas entidades renascentes, sem que o véu da  reencarnação lhes esconda de todo a memória, as psiconeuroses e fixações  infanto-juvenis, cuja importância na conduta sexual da personalidade é exagerada  em excesso pelos sexólogos e psicanalistas da atualidade, carentes de mais amplo  contato com as realidades do Espírito e da reencarnação, que lhe permitiriam  ministrar aos seus pacientes mais efetivo socorro de ordem moral.

Quanto ao divórcio, segundo os nossos conhecimentos no Plano Espiritual, somos de  parecer não deva ser facilitado ou estimulado entre os homens, porque não existem  na Terra uniões conjugais, legalizadas ou não, sem vínculos graves no princípio  da responsabilidade assumida em comum.

Mal saídos do regime poligâmico, os homens e as mulheres sofrem-lhe ainda as  sugestões animalizantes e, por isso mesmo, nas primeiras dificuldades da tarefa a  que foram chamados, costumam desertar dos postos de serviço em que a vida os  situa, alegando imaginárias incompatibilidades e supostos embaraços, quase sempre  simplesmente atribuíveis ao desregrado narcisismo de que são portadores. E com  isso exercem viciosa tirania sobre o sistema psíquico do companheiro ou da  companheira mutilados ou doentes, necessitados ou ignorantes, após explorar-lhes  o mundo emotivo, quando não se internam pelas aventuras do homicídio ou do  suicídio espetaculares, com a fuga voluntária de obrigações preciosas.

É imperioso, assim, que a sociedade humana estabeleça regulamentos severos a  benefício de nossos irmãos contumazes na infidelidade aos compromissos assumidos  consigo próprios, a benefício deles, para que não se agreguem a maior desgoverno,  e a benefício de si mesma, a fim de que não regresse à promiscuidade aviltante  das tabas obscuras, em que o princípio e a dignidade da família ainda são  plenamente desconhecidos.


Entretanto, é imprescindível que o sentimento de humanidade interfira nos casos  especiais, em que o divórcio é o mal menor que possa surgir entre os grandes  males pendentes sobre a fronte do casal, sabendo-se, porém, que os devedores de  hoje voltarão amanhã ao acerto das próprias contas.


ANDRÉ LUIZ
(Do livro "Evolução em Dois Mundos", Parte II, André Luiz/Chico Xavier/Waldo  Vieira, FEB)

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